quinta-feira, 23 de abril de 2015

MAS VOCÊ NÃO É NEGRA

por Barbara Paes


       Toda vez que alguém me chama de "morena" ou "mulata" eu quero morrer um pouco. Ao mesmo tempo em que imagino que muita gente faça isso por costume, sem saber a violência que tá cometendo, carrego a certeza de que muita gente mede as palavras antes de verbalizar. Quando eu corrijo essas pessoas e peço para me chamarem de negra, quase sempre recebo um sorriso constrangido. Mas de vez em quando, algumas dessas pessoas acham legal tentar me convencer de que, na verdade, eu só posso ser mulata.
        Esses dias eu estava com a minha mãe (que é negra como eu) na sala de espera do consultório do meu médico, quando começamos a conversar com uma mulher (branca). Conversa vai, conversa vem, e de repente estávamos falando de como as universidades brasileiras têm poucos estudantes negros. Quando eu menciono que sou a única estudante negra da turma, a mulher me olha quase aterrorizada e diz "mas você não é negra, você é morena! Quando alguém é negro de verdade, a gente tem como perceber!"
        A dificuldade que alguns brancos têm em me apontar como negra é bem sintomática de como o racismo é estrutural na nossa sociedade. Para essa mulher (e para muitas outras pessoas como ela) é inconcebível que uma pessoa negra possa estar no mesmo consultório que ela, estudando em uma universidade pública. Para esse tipo de pessoa é assustador assumir que uma negra possa ter acesso aos mesmos serviços, colocar filhos nas mesmas escolas, frequentar os mesmos shoppings e comprar as mesmas marcas. Assumir tudo isso representa uma perda de status enorme para pessoas que tanto se apoiam na posição relativa ao branco em relação ao negro na nossa sociedade.
        Assim, muita gente branca optar por usar termos como "morena" ou "mulata", descrentes da possibilidade de existir uma pessoa "realmente negra" que compartilhe do mesmo poder aquisitivo. É feita uma associação, quase que automática, de classe média e alta com a população branca e de pobreza com a população negra. Essa associação imediata, combinada ao asco que a nossa sociedade tem do povo pobre e do povo negro, contribui para que exista uma resistência enorme em chamar alguém de negra, como se ser negra fosse uma vergonha. Neste caso, os rótulos de "mulata" ou "morena" se tornam tentativas de embranquecer, de evitar reconhecer que negras e negros possam ter, ou sequer almejar, o mesmo padrão de vida.
        O desconforto que alguns sentem em ver o surgimento crescente de uma classe média negra e universitária, ocupando os lugares que nos foram historicamente negados, é cada vez mais latente. Seja na menina branca na livraria que tenta me impedir de comprar um livro porque não acreditou que eu conseguisse ler em inlgês, seja nessa senhora no consultório médico dá pra reconhecer de longe gente que se sente incomodada ao ver uma mulher negra fazendo coisas "tipicamente brancas". Esse é um dos motivos pelos quais eu faço questão de sempre me declarar negra, especialmente quando estou em ambientes acadêmicos ou profissionais sempre reservados prioritariamente para brancos.
        A remuneração de uma mulher negra é 38,5% do salário de um homem branco de mesma escolaridade e função. Sabemos também que a universidade brasileira tem poucas estudantes negras (Dossiê Mulheres Negras, IPEA, 2013). Conhecemos os resultados violentos do racismo institucional a qual todas nós mulheres negras estamos submetidas diariamente. Nesse sentido, se assumir como negra ao ocupar uma posição profissional ou acadêmica usualmente reservada para brancos se torna uma decisão super importante. É através da afirmação da nossa identidade que temos força para reclamar nosso espaço na universidade, que denunciamos as violências que sofremos, que exigimos mais igualdade. É através da afirmação da nossa identidade que mostramos que ocupar as posições profissionais ou acadêmicas que almejamos é nosso direito.



terça-feira, 21 de abril de 2015

Plano de aula – A Verdade sobre a Escravidão Negra no Brasil
Publicado há 4 semanas - em 25 de março de 2015 » Atualizado às 10:53
Categoria » Esquecer? Jamais · Planos de Aula

Leia a matéria completa em: Plano de aula - A Verdade sobre a Escravidão Negra no Brasil - Geledés

“A Verdade sobre a Escravidão Negra no Brasil” – primeira reportagem



A Verdade Sobre a Escravidão Negra no Brasil - 1a. Reportagem 


                            A Verdade Sobre a Escravidão Negra no Brasil - 2a.Reportagem                        


              A Verdade Sobre a Escravidão Negra no Brasil - 3a. Reportagem                  


                A Verdade Sobre a Escravidão Negra no Brasil - 4a. Reportagem                           


         A Verdade Sobre a Escravidão Negra no Brasil - Última Reportagem
                                                        


sexta-feira, 17 de abril de 2015

100 ANOS DE HISTÓRIA E BELEZA DOS CABELOS CRESPOS EM APENAS 60 SEGUNDOS

Cabelos crespos
É uma tarefa ambiciosa para recriar um século de tendências de beleza em apenas 60 segundos. Mas o site Cut, que nos deu no mês passado os virais “100 Anos de Beleza em 1 Minuto” em vídeo.

no Elle

Na segunda parte da série, modelo Marshay tenta sobre mais 10 tendências de 1910 a 2010. E é hipnotizante.
Ver o vídeo juntamente com uma comparação lado-a-lado dos dois clipes, abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=hsyAINzPSd0

quinta-feira, 16 de abril de 2015

A TURMA QUE NÃO "SE ADAPTOU" A TER UMA ALUNA NEGRA: UMA DENÚNCIA DE RACISMO


Daquelas coisas que você lê no Facebook e não acredita que possa ser verdade diante do tamanho absurdo. Uma mãe que recebeu uma ligação da escola da filha informando que ela estava sendo mudada de sala porque “a turma não se adaptou a ela”. Como assim? A menina em questão tem 12 anos, de uma pele linda e reluzente, que gosta de usar um aplique trançado no próprio cabelo. Para a turma que “não se adaptou a ela” leia-se: não se adaptou a ela por ela ser negra. Ficou horrorizada? Eu também fiquei.


Lorena foi convidada a se retirar de uma turma onde alunos a discriminavam, desrespeitavam, soltavam piadinhas terríveis e ridículas. Assim, na lata: o errado vencendo o certo. O bullying acima da tolerância às diferenças. O racismo no lugar do respeito. Já que para a tal escola quem está fora dos padrões é a parte desrespeitada e não a parte que desrespeitou.

A mãe dela escreveu uma carta aberta. E nesta história, não há como justificar o comportamento racista dos colegas da filha dela. Absolutamente nada justifica esta aberração. Camila, a mãe, conta que recebeu uma mensagem pelo WhatsApp da filha que dizia: “olha só o que sofro”. Junto com esta frase havia uma gravação que a menina fez com a voz dos colegas.

A sequência do que se ouve é deprimente. Os colegas disparam atrocidades do tipo: “Sua preta, testa de bater bife do cara******!”
“Eu sou racista mesmo, quando eu quero ser racista eu sou racista, entendeu?”
“Toda vez que eu encontrar ela na minha frente eu vou zuar até ela chorar”
“Você vai ficar neste grupo até você chorar”
“Cabelo de movediça, cabelo de miojo, cabelo de macarrão”


Isto não aconteceu há dois séculos atrás. Isto foi há duas semanas, em São Bernardo do Campo, São Paulo. Que tipo de crianças, adolescentes são estes? Que tipo de exemplos eles recebem em casa? Que vergonha desses pais.

As crianças são uma folha em branco, moldadas por nós e pelo ambiente em que vivem. E eu fico pensando o que a gente realmente precisa fazer na prática para ensinar os nossos filhos o quanto ser racista é absurdo. É inadmissível deixar que eles usem termos pejorativos. É imprescindível explicar que cada um é de um jeito, mas somos todos iguais no quesito respeito. Precisamos com urgência colocar a mão na consciência e trilhar um caminho para criar filhos bacanas e inteligentes e não criaturinhas preconceituosas e dignas de pena como estes meninos que ofenderam a Lorena.

Fabiana Santos é jornalista, mãe de Felipe, de 10 anos e Alice, de 4 anos. Eles moram em Washington-DC. O melhor amigo de Felipe se chama Leland e é negro. Mas isto não faz a menor diferença pra eles,  porque amizade não tem cor. 

17 FRASES RIDÍCULAS QUE PESSOAS NEGRAS ESTÃO ACOSTUMADAS A OUVIR DITAS ÀS PESSOAS BRANCAS


Quanto a gente inverte as coisas o a racismo fica mais evidente. Por  e pesquisa realizada com o auxílio de Alcides Lima De Lima Jr e Mariana Benedito.


Frases ridículas que pessoas negras estão acostumadas a ouvir

1. “Eu não sou racista, até tenho amigas brancas”.

2. “Não tenho preconceito, eu tinha um amigo branco na infância que até comia na minha casa… “

3. “Você acha que tem preconceito contra branco no Brasil?”

4. “Como você fez pro seu cabelo ficar assim?”

5. “Brancão sempre tem um p** enorme, né?”

6. “Sempre quis saber como é uma branca na cama”.

7. “Você já pensou em ser passista de escola de samba?”

8. “Você é um branco bonito, não tem os traços tão fortes, sabe?”

9. “Mas ele é um branco de alma negra!”

10. “Que cor branca interessante você tem!”

11. “Branco tem mania de perseguição”.

12. “Seus pais também são brancos?”

13. “Eu não sou racista, tinha uma funcionária/empregada branca em casa, todos adoravam ela, uma fofa.”

14. “Tinha que ser branco!”

15. “Eu até já peguei uma branquinha”

16. “Você deve gostar de morena. Né, brancão?”

17. “Não sou teus brancos


Fonte: BuzzFeed