segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Letramento racial: o caso Fernanda Lima e as babás negras

O problema é usar um exemplo que supostamente respeita a alteridade de outrem para destacar o quanto uma patroa branca é boazinha, velho artifício colonial-português de instituir uma “escravidão branda”. É reiterar o lugar de poder da herdeira da casa grande e o lugar de subalternidade e aquiescência daquelas que tiveram suas antepassadas escravizadas
Por Cidinha da Silva, da Revista Fórum 

          A preguiça sempre foi um pecado abominável para pessoas que trabalham muito, mas, devo admitir que o caso Fernanda Lima e suas declarações sobre as babás negras, sua pose ao lado de segurança negro, o tititi e o chororô da casa grande e seus herdeiros me causam preguiça. Sinto-me uma marmota escorregando num pé de árvore, mais lenta do que uma jiboia de barriga cheia. Saca aquela preguiça até de abrir os olhos para ler o catatau de mediocridade emanado do caso, de escorregar a mão pelo mouse para abrir um arquivo? Assim me sinto, tomada pelo bicho capital da preguiça.
          Ângela Dias e Tayane Dias (superei a preguiça e movi o mouse para pesquisar o nome das profissionais), as babás em questão, são duas jovens negras simpáticas e bonitas, aparentemente plenas da energia exigida para cuidar de crianças pequenas em movimento. Devem ser habilitadas para o trabalho, pois, quem pode pagar, escolhe a dedo os profissionais dos quais se cerca, principalmente para cuidar de seres tão preciosos como os filhos, mesmo que Fernanda afirme que elas não trabalhavam e que ela lhes ensinou o serviço (mirem o favor que lhes fez). Ora, se elas são tudo isso, qual seria o problema de Fernanda Lima colocá-las em exposição, vestidas de maneira descolada, como provavelmente se sentem à vontade, e afirmar que empregada dela não é obrigada a vestir uniforme branco?
          O problema é utilizar um exemplo que supostamente respeita a alteridade de outrem para destacar o quanto uma patroa branca é boazinha, velho artifício colonial-português de instituir uma “escravidão branda”. É reiterar o lugar de poder da herdeira da casa grande e o lugar de subalternidade e aquiescência daquelas que tiveram suas antepassadas escravizadas. As atitudes das pessoas não são desassociadas do tempo e do espaço. Inda outro dia, houve rumores de que Fernanda substituiu uma colega de trabalho negra, numa escolha racista para protagonizar sorteio de chave de jogos da FIFA na Copa 2014. Fernanda Lima desconsiderou completamente a possibilidade de, mesmo aceitando o trabalho, problematizar a existência do racismo e suas práticas, ainda que de maneira indireta. Ao contrário, tudo o que se ouviu da modelo e apresentadora foi a indagação jocosa: só por que eu sou branquinha?
          Os negros estão malucos, dirão alguns de seus amigos. Eles, influenciados pela vitória do Obama, não sabem mais o que querem (o lugar deles) e acham que podem tudo. Vejam vocês: se mostramos que temos serviçais negros e os tratamos direitinho, eles não gostam. Ok. Quando mostramos que temos amigos negros que comem à mesa conosco e brincam com nossos filhos, também não gostam. O que querem, afinal? Se gente como a gente tem amigos negros é porque são do nosso nível, gente que nasceu sem pedigree, mas lutou e com muito esforço subiu os degraus sociais até onde estamos. Esse pessoal tá perdido, não sabe desfrutar os brindes de serem negros de classe média negra.
          Dizem que os homens estão perplexos frente à nova mulher, não sabem como se comportar, como ser másculo e não ser machista, como ser docemente viril sem oprimir. Tá difícil o negócio para eles e penso que para os brancos frente aos negros também. É muita complexidade negra para quem estava acostumado a mandar e ser obedecido, a dar um emprego em casa e a comprometer os filhos da pessoa empregada a serem empregados dos seus próprios rebentos no futuro. Muita estética berrante (no sentido daquilo que não se cala e grita); muito enfrentamento imediato ao mimimi da branquitude; marchas de resistência aos autos de resistência, à redução da maioridade penal, contra o genocídio do povo negro, pelo empoderamento crespo, contra a violência e racismo impostos às mulheres e pelo bem viver.
Pelo bem viver! As pessoas negras vociferam em cada ação de resistência e tigritude que não aceitam migalhas condescendentes à sua existência, exigem o bem viver. Vem daí o sentimento de desconforto e perplexidade da branquitude, de abalo aos privilégios recalcitrantes. Acabou chorare! A tigritude tá na área (faz tempo).

(*) Cidinha da Silva é escritora. Publicou entre outros, Racismo no Brasil e afetos correlatos (Conversê, 2013) e Africanidades e relações raciais: insumos para políticas públicas na área do livro, leitura, literatura e bibliotecas no Brasil (FCP, 2014). Despacha diariamente em sua fanpage



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Cansado de ouvir sobre machismo e racismo? Imagine quem vive isso

Não querer discutir temas tão importantes é sintomático de uma sociedade imatura para o debate sério.
Por Djamila Ribeiro Do Carta Capital 
“Consciência Negra Feminista”, por Patrick Monteiro, Ana Clara Marques e Fernanda Sunega, by GRIF MAÇÃS PODRES

         Quem é feminista ou milita na luta antirracista ou no movimento LGBT, com certeza já ouviu de alguém a frase: “Ah, mas vocês só falam disso” ̵ seja para expressar cansaço ou destilar ódio.
         Essas pessoas, obviamente, ignoram que machismo e racismo são elementos estruturantes dessa sociedade, logo nenhum espaço estará isento dessas opressões. Basta vermos as desigualdades salariais entre homens e mulheres ̵ se falarmos de mulheres negras, a distância é maior ainda ̵ ou o número de jovens negros assassinados pelo Estado.
Para nós, falar desses temas é questão de sobrevivência, é denunciar a dura e desigual realidade. Pedir para pararmos de falar disso, seguindo a síndrome Morgan Freeman de ser, é querer manter as coisas como estão. Freeman, em uma entrevista, disse que o dia em que pararmos de falar de racismo, ele deixará de existir, como se racismo fosse uma entidade.
          Fazendo uma analogia simplista, e um “argumento” simplista como esse requer uma analogia assim, se uma pessoa está com câncer e deixa de falar nisso e procurar tratamento, a doença simplesmente vai desaparecer? Não querer discutir temas tão importantes é sintomático de uma sociedade imatura para o debate sério. Há uma frase que circula nas redes sociais que explica bem:           “Se você está cansado de ouvir falar sobre racismo, imagine quem vive isso todos os dias”.
Fora isso, há os intelectuais e especialistas que adoram dizer serem pessoas que falam de tudo, arvoram-se por falar de tudo. Esses também se referem a nós como pessoas que “só sabem falar disso”. Nesses casos, eu julgo ser pior, porque essas pessoas têm acesso a um debate mais crítico, mas preferem se esconder por de trás de seus privilégios.
          Criam categorias como literatura feminina, assuntos para mulheres. A literatura produzida por eles é tida como universal e a feita por mulheres, “literatura feminina”. Alguém já ouviu alguém falar em literatura masculina? Criam sub categorias para hierarquizar arte e conhecimento. Julgam que falam do universal enquanto nós só falamos do específico, do “nosso mundo”, quando é justamente o contrário.
          Ao falarmos de nós, estamos denunciando o quanto essa categoria universal é falsa, pois tem como base o homem, o branco. Apontar isso, é justamente ampliar essa categoria de universalidade, fazê-la abranger um número maior de possibilidades de existência.
          Se racismo e machismo são elementos fundantes dessa sociedade, as hierarquizações de humanidade serão reproduzidas em todos os espaços. Deste modo, a ciência já foi utilizada para legitimar racismo através dos estudos de evolução biológica do século 19 que introduziu o conceito de “racismo biológico”, assim como também para querer provar uma “inferioridade natural” da mulher.
Como disse Bourdieu: “A ciência neutra é uma ficção. Uma ficção interessada”. Há o interesse de quem possui os privilégios sociais de criar mecanismos de manutenção desses privilégios, seja pela ciência, pela arte ou pela educação. Lélia Gonzalez, intelectual e feminista negra aborda essa questão em suas obras.
          Criticando a ciência moderna como padrão exclusivo para a produção do conhecimento, vê a hierarquização de saberes como produto da classificação racial da população, uma vez que o modelo valorizado e universal é branco.
          Nada é isento de ideologia. Como acadêmica e militante, ouço por parte de alguns acadêmicos que sou ideológica por estudar feminismo, como se eles também não tivessem seguindo uma ideologia, inclusive a de decidir quais temas são legítimos ou não e a de nos manter fora desses espaços. Nosso “stand point”, ponto de partida, como define Patricia Hill Collins, ou o nosso “só falar disso” nos permite refutar esse modelo e pensar outros mais plurais e democráticos. Não é possível falar de política, sociedade, arte, sem falar de racismo e sexismo.
          Falar de questões que foram historicamente tidas como inferiores, falar de mulher, população negra, LGBT é romper com a ilusão de universalidade que exclui. A concepção de universal de quem está no poder é um dado ilusório. Não nos enganemos quando eles dizem que falam de temas universais e nós não. Eles estão tão somente falando de si próprios.


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quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Apresentadora viu preconceito racial em namoro e quer ser referência na TV


          Cabelo crespo e assumindo a sua natureza. É assim que Karine Alves quebrou barreiras e hoje se tornou a única apresentadora negra nas emissoras esportivas da TV fechada. Nascida no Rio Grande do Sul, ela comanda o programa Melhor do Fox Sports e entende que o jornalismo tem de mostrar as mais variadas misturas de raça no país. “Acho que precisa ter mais diversidade, loira, ruiva, morena, negra. Para mim a TV, além de informar, tem de educar e fazer parte social”, afirmou ao UOL Esporte.
Por Leandro Carneiro

Do UOL

          A apresentadora vibra cada vez que vê jornalistas e âncoras negros na TV. Diz que nunca sofreu preconceito por questão racial no trabalho. Mas, na vida pessoal, chegou a vivenciar algumas situações delicadas, inclusive até com a família de um ex-namorado. Nada que deixe feridas e mágoas na despojada jornalista. Apesar das situações ruins, Karine fala com tranquilidade sobre o tema.
          “Passei por diversas situações. Quando era criança, em uma creche, percebia que os coleguinhas não aceitavam minha cor, estragavam minhas coisas, casaco, lancheira. Eles sempre falavam: ‘vamos estragar casaco da negra’. Eu não entendia, não dava bola. Um dia, minha mãe me deu uma lancheira nova e, em cinco minutos, destruíram. Passei a tarde chorando, minha mãe percebeu e conversou com a professora e perceberam que não me aceitavam pela cor. Ela conversou comigo e disse que ia me mudar de escola por implicar com a cor da minha pele”, disse.
          “Depois, foi quando tive um namorado. Quando a família descobriu que a gente estava namorando, contamos para eles, nossa, minha vida virou inferno. Eu não entendia porque não aceitavam até que foi verbalizado: ‘ela é negra e não serve para entrar na família’. Foram dois anos assim. Eu perdoei eles e hoje converso com elas, passou um tempo, hoje eu já sirvo, mas até então não servia porque era negra”, completou.


          Hoje, com a carreira já consolidada, Karine quer ser justamente o que não teve quando era mais nova, uma referência de negra na televisão sem precisar alisar cabelo. “Quando eu procurei ser jornalista, sempre busquei na televisão referências, mas a única que eu tinha de repórter despojada era a Gloria Maria. Mas, eu não me reconhecia nela, olhava cabelo e via um cabelo alisado, me via apenas na questão de como ela conseguiu chegar. Hoje, cada vez que vejo uma pessoa, não só por ser negro, mas nessa condição em que muitos não chegam, eu vibro sim, vibro vendo isso”, afirma ela faz questão de assumir sua natureza.
          “Sempre me viram assim, uma pessoa que assume o cabelo crespo, assume a natureza. No jornalismo geral da TV, você não encontra muitas negras como âncoras, que assumem como são, o cabelo, a raiz. Acho que o cabelo fala muito, eu sempre mantive essa postura. Eu sou essa pessoa, tenho esse cabelo, esse corpo. Se me querem, é assim e sempre fui muito respeitada. Na própria Fox, que trabalha a imagem, sempre tivemos um consenso bacana, nunca pediram para mudar o cabelo”, falou.

          Antes de ser apresentadora do Fox Sports, local em que também fez a função de jornalista, Karine teve uma passagem pela afiliada gaúcha da Globo. Seu começo na TV foi influenciado por sua paixão pela música.
           “Antigamente, eu cantava bastante, me apresentava em formatura e casamento. Minha primeira chefe disse que se encantou com a voz, desde ali a música me impulsionou para a carreira”, finalizou.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Juarez Xavier: “Não existe meritocracia em sociedades desiguais”

Em entrevista à #tvCarta, o professor de Jornalismo Juarez Tadeu de Paula Xavier, vítima de ofensas racistas na Unesp de Bauru, discute o sistema de cotas e o racismo dentro e fora da universidade.

Em entrevista à #tvCarta, o professor de Jornalismo Juarez Tadeu de Paula Xavier, vítima de ofensas racistas na Unesp de Bauru, discute o sistema de cotas e o racismo dentro e fora da universidade.
Duração: 3'19

Leia a matéria completa em: Juarez Xavier: “Não existe meritocracia em sociedades desiguais” - Geledés http://www.geledes.org.br/juarez-xavier-nao-existe-meritocracia-em-sociedades-desiguais/#ixzz3lvuyB1tX 
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Publicado há 6 dias - em 10 de setembro de 2015 » Atualizado às 11:25 
Categoria » Questão Racial · Questões de Gênero

Cacheada não, crespa!


Se tem uma coisa que vem me tirando do sério ultimamente é essa onda de pessoas brancas de cabelo cacheado contando sua história de superação e de como foi difícil assumir seus “cachos”, e ganhando chuva de papel picado, inclusive midiática, por terem vencido a enorme batalha que foi parar de fazer chapinha. Não passa um dia que eu não veja um link de notícia falando sobre “assumir seus cachos”, sobre como os “cachos” são lindos, os “cachos” são aquilo, “os cachos”. Sempre os “cachos”.

        Eu acho extremamente positivo que as mulheres brancas empoderem seus cabelos naturais, mas não consigo deixar de ver como essa onda cacheada é de um apagamento absurdo da negritude. Ou o cabelo é liso, ou é cacheado. Como se não existissem outras texturas, como se não existisse cabelo sem cachos, como se não existisse o cabelo crespo.

          Eu vejo cabelos crespos, inclusive sem cachos, sendo colocado lado a lado com cabelos de mulheres brancas cacheados e ondulados como se representassem uma mesma coisa, um mesmo processo de transição, de superação e de opressão a ser vencido. Cabelo cacheado sofre coerção pra se adequar ao padrão liso? Sim. Mas não chame isso de opressão, não chame isso de racismo, isso não faz nem cosquinha no que é racismo. Mulher branca de cabelo cacheado não sofre racismo. Pessoas brancas de cabelo cacheado não sofrem racismo. Pessoas brancas não sofrem racismo.
        Estamos falando de processos diferentes, estamos falando de transições diferentes. Nossa transição é um processo profundo de internalização de consciência e de entendimento do que é racismo.O processo de transição de uma pessoa negra é um processo dolorido, de resgate da sua ancestralidade, de retomada, de cicatrização de feridas antigas, de descoberta de si mesmo e de que era dor aquilo que ele sentia não sabia o que era quando a mãe prendia, cortava, raspava seu cabelo para a proteger de sofrer na escola.

        Não é possível que só eu ache violento abrir um vídeo de propaganda e dar de cara com uma criança negra sem cachos sendo perguntada de porque ela não gosta dos seus cachos. É duro, eu parei pra imaginar o que passou na cabecinha daquela menina do lado de um tanto de loirinha-cachinhos-dourados e as pessoas a equalizando e a apagando. O que rola é que a loirinha nunca vai ser chamada de mendiga, de suja porque tem o cabelo cacheado, dificilmente vão considerar os cachos dela “má aparência”, dizer que não se adequa ao ambiente de trabalho, dificilmente vão mandá-la prender o cabelo, dificilmente ela vai perder emprego pelos seus “cachos”.
        Desculpa ter que desconstruir seu mundo colorido com música de fundo e propaganda da Dove pra contar que pros negros o buraco é mais embaixo. Desculpa, mas não aguento mais ouvir sua história de superação de como foi difícil pra você não fazer mais chapinha pra ir no casamento e querer colocar isso em pé de igualdade com ser um médico de rastafari, ou uma médica black power. Isso não é a mesma coisa. Seus cachos não causam o estranhamento, nem a ruptura que um black power ou dreads causam em um ambiente majoritariamente branco.
        Eu não sou cacheada, eu sou crespa, eu tenho um black power (power mesmo!).E é power porque eu criei um poder ao assumi-lo, um poder que se relaciona intimamente ao meu enfrentamento diário do racismo.
        Meu cabelo é um ato político, meu cabelo é uma afronta à branquitude racista que tentou me convencer que eu sou feia e suja desde que eu nasci e que me fez acreditar que meu cabelo era errado, que eu não podia acordar com o cabelo pra cima, que o que nasce naturalmente na minha cabeça devia ser corrigido.
        Parabéns pela sua superação, mas a minha é outra. Não me equalize a você.

Leia a matéria completa em: Cacheada não, crespa - Geledés http://www.geledes.org.br/cacheada-nao-crespa/#ixzz3lvp51AKV 
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Acesso: 16/09/2015, 16h37min
Mulheres entram na onda de fugir da química no cabelo e do alisamento
Salões de São Paulo oferecem agora uma reeducação capilar. Principal objetivo é melhorar características originais do cabelo.
Por Patrícia Falcoski Do G1

       De reeducação alimentar, a gente sempre ouve falar. E reeducação capilar? No sábado (12), dia de dar uma passadinha no salão de beleza, o Jornal Hoje fala de uma nova onda em São Paulo: livrar o cabelo de químicas, chapinhas, e de tudo o que vai contra o aspecto natural dos fios. A repórter Patrícia Falcoski mostra essa verdadeira liberação dos cachos.
        As mulheres sempre estão querendo mudar o visual e o cartão de visita são os cabelos. A repórter Patrícia Falcoski mesmo, por exemplo, acho o cabelo liso fino demais e está sempre querendo deixar com mais volume. Aí quem tem o cabelo mais crespo, muitas vezes, quer alisar. Só que agora os salões em São Paulo estão com um novo conceito: quanto mais natural melhor. As mulheres saem com o cabelo que realmente tem.
        O salão é especializado em cachos e ganha cada dia mais clientes. Outro salão de São Paulo também está atraindo a mulherada que quer fazer um “detox no cabelo”. A ideia é fugir da química e fazer uma reeducação capilar.
        A Nanda passou a adolescência fazendo alisamento. Acredita que ela ficou durante quatro anos longe do mar para não molhar o cabelo no mar? Faz seis anos que ela se libertou, assumiu o cabelão e resolveu “desencanar” dessa história de usar química pra ter o cabelo lisinho. E aí ela criou um blog na internet para compartilhar essa experiência e ganhou um monte de seguidoras


Leia a matéria completa em: Mulheres entram na onda de fugir da química no cabelo e do alisamento - Geledés http://www.geledes.org.br/mulheres-entram-na-onda-de-fugir-da-quimica-no-cabelo-e-do-alisamento/#ixzz3lvnspkNq 
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Acesso: 16/09/2015, 16h26min

Transição capilar: como voltar a ter cachos após anos                                         de alisamentos

Taís Araújo e outras estrelas da TV inspiram mulheres que desejam voltar a exibir cachos naturais e saudáveis depois de uma rotina intensa de alisamento. Entenda o processo de transição
Por Juliana Cazarine Do Manequim

        A ditadura do cabelo liso finalmente acabou! Agora, a ordem é valorizar a beleza natural. Mas uma rotina de anos de alisamento químico pode tornar refém do babyliss, aplique ou megahair quem quer ter os cachos de volta, já que, durante o processo de transição capilar, o fios apresentam mais de uma textura. A alternativa, nesse caso, é optar pelo big chop (BC) – corte de toda extensão alisada.   Na série O Dentista Mascarado, de 2013, Taís Araújo adotou o cabelo joãozinho, bem curtinho, para recuperar a ondulação natural dos fios. Um ano depois, na novela Geração Brasil, ela  já exibia cachos na altura do pescoço.
        Para algumas mulheres, o BC marca o início da transição capilar. Para outras, o fim. “Eu alisava o cabelo desde os 11 anos. Por causa do excesso de química os fios começaram a mofar e fui obrigada a cortar”, conta Lellêzinha, atriz e dançarina do Dream Team do Passinho. Quem tem receio de adotar o look curtíssimo pode modernizar o visual com tiaras e lenços, por exemplo. “Eu me sentia feia. Então, quando começou a crescer, fiz luzes e ganhei estilo”, diz.
        Produtos que removem resíduos químicos não restauram os cachos, especialmente os que foram alisados com amônia. “Os cosméticos ajudam, mas não eliminam a necessidade do corte”, afirma Danilo Andrade, cabeleireiro do House of Beauty. Não quer fazer o BC? Pare de alisar, espere o cabelo crescer um pouco, até poder fazer um penteado simples, e só depois corte a parte quimicamente tratada. “O coque é versátil, pode ser usado em diferentes ocasiões e disfarça bem a diferença de texturas”, sugere o especialista.

        Enquanto os fios apresentarem características diferentes, é possível disfarçar usando um cosmético específico para modelar os cachos com as mãos. “Se preferir, use difusor ou chapinha para igualar o cabelo, mas aplique protetor térmico, para evitar o ressecamento. Bem cuidado, o cabelo pode crescer até 1 centímetro por mês”, destaca Andrade.
        Lellêzinha alisava o cabelo desde os 11 anos até que os fios começaram a mofar. Então ela fez o BC e voltou a exibir seus cachos naturais.
Rotina de cuidado:
• Corte o cabelo a cada três meses. “E sempre com os fios secos”, diz Alessandra Carelli, do Studio dos Cachos. A orientação de um especialista que possa indicar o corte ideal para deixar cada tipo de cacho definido e com volume adequado é indispensável.
• Use xampus e condicionadores sem sulfato e petrolatos, para preservar elementos naturais que hidratam os fios. Quem pratica low poo  e no poo exclui essas substâncias da rotina
• Durma com touca ou fronha de cetim para diminuir o frizz.
• Hidrate semanalmente os fios. “Escolha um creme sem parafina líquida e deixe-o no cabelo por 30 minutos”, sugere a cabeleireira.
• Utilize secador sempre com difusor. “Assim o ar sai ‘espalhado’ e não estraga os cachos”, recomenda Alessandra.
O que é low/ no poo?
        Ambas as técnicas caíram no gosto das cacheadas após serem divulgadas no livro Curly Girl (garota encaracolada, em tradução livre), da cabeleireira americana Lorraine Massey. Quem pratica low poo (pouca espuma, em tradução livre) exclui da rotina de beleza xampus com sulfato e petrolatos (parafina líquida, óleo mineral e vaselina), agentes altamente limpantes que podem agredir a fibra capilar e ressecar ainda mais os fios encaracolados, que já têm essa característica. Com a popularização da técnica, alguns cosméticos com agentes de limpeza de caráter leve ganharam a identificação “low poo” na embalagem. Condicionadores, cremes de hidratação e para pentear também não podem ter substâncias agressivas. As adeptas do no poo (nenhuma espuma), por sua vez, não usam nenhum tipo de xampu. A ideia é evitar também os silicones insolúveis. Elas lavam o cabelo com condicionador.
        O cabelo cacheado é mais seco do que o fino, o que dificulta a chegada dos lipídios produzidos pelo couro cabeludo – que hidratam naturalmente os fios – à extensão do cabelo. Eles ficam mais tempo concentrados na raiz. Xampus altamente limpantes removem totalmente os lipídios, que podem ser benéficos aos cachos.